Artigos do Luiz Corrêa (Guto)
Blog sobre preservação ambiental, politicamente correto, economia, política e outras "bobagens". Autor: eu mesmo, Luiz Augusto Vitorino Alves Corrêa (Guto).
segunda-feira, 21 de maio de 2012
terça-feira, 25 de outubro de 2011
La Fontaine na economia
Em toda boa fábula há uma mensagem para refletir. Na clássica obra de Esopo, recontada por Jean de La Fontaine, a cigarra só queria saber de cantar, dançar e se divertir. Havia também a trabalhadora formiga que se esforçava para acumular alimentos visando possíveis dias mais difíceis. Para muitos, a moral dessa história é que o trabalho deve vir antes da diversão, ou que devemos nos preparar para momentos mais difíceis.Na vida real não é rara a situação do indivíduo que vive com o orçamento no limite ou acima da capacidade financeira, tentando usufruir ao máximo do conforto e luxo que o dinheiro pode propiciar. Mediante qualquer pequeno imprevisto necessitam recorrer a parentes ou amigos para ajuda financeira. Sendo assim, para mim, a moral da fábula de La Fontaine é que as cigarras curtem a vida graças aos esforços e generosidade de algumas formigas, pois estas se sentem moralmente obrigadas a conceder ajuda.
O governo brasileiro já foi uma grande cigarra, que apresentava um orçamento mal feito e irresponsável, necessitando assim de empréstimos com altos juros para fechar as contas. O pior momento foi na gestão do então presidente José Sarney, que, para quitar os vencimentos mais próximos, obtinha novos e mais caros empréstimos. A situação ficou insustentável e houve decreto da moratória (interrupção de pagamentos). Nessa época não houve mais nenhum país-formiga com interesse em ajudar e socorrer o país-cigarra que parecia um saco sem fundo. Como resultado, o Brasil amargou por longo tempo uma economia estagnada e sem credibilidade.
Países com alto endividamento público são o foco da atual tensão econômica mundial. A Grécia encabeça a lista das cigarras, e na outra ponta a “formiga” Alemanha só está disposta a ajudar para evitar uma recessão mundial que afetaria outras cigarras e também vários formigueiros. Essa ajuda não é altruísta e só está saindo visando benefício próprio, mas com a imposição de ajustes impopulares e necessários por parte das cigarras solicitantes.
Voltando à moral da história: enquanto houver formigas interessadas em prestar socorro, haverão diversas cigarras preocupadas somente em curtir e esbanjar. Quanto a mim, prefiro continuar com atitudes "formiguistas", bem como votando e apoiando políticos formigas.
domingo, 21 de agosto de 2011
segunda-feira, 1 de agosto de 2011
Boa gestão das finanças pessoais
Há um Projeto de Lei no Senado para que a disciplina Educação Financeira seja obrigatória nos ensinos fundamental e médio, mas enquanto isso não ocorre, resta os alunos e demais cidadãos a buscarem conhecimento sobre o assunto.
Da falta de planejamento orçamentário de muitos, decorre o imediatismo em consumir e disso acarreta uma cultura que taxa pejorativamente os “poupadores” como pão-duro, muquirana e outros adjetivos. Álvaro Modernell - Especialista em Educação Financeira diz que “Poupar abre portas para a prosperidade”, “Quem poupa demonstra que não se contenta com pouco” e “Poupar é uma atitude de inteligência que costu-ma ser recompensada por boas oportunidades de melhor aproveitamento”.
Algumas pessoas não tem o hábito de fazer reservas financeiras, e aquela desculpa de que o salário é baixo não é válida, pois existem pessoas com baixíssimo salário que conse-guem poupar boa parcela da renda; bem como existem pessoas com altos rendimentos que não conseguem poupar nenhum realzinho sequer. Mas poupar para que? Destaco três bons motivos:
-Ter reserva para possíveis emergências (problema de saúde, desemprego, etc);
-Economizar para adquirir um bem ou serviço de valor maior (férias sonhadas, compra ou troca de carro, moto ou casa, faculdade dos filhos, etc);
-Formar patrimônio para complementar a aposentadoria, pois quem pretende depender somente da previdência social, deverá se preparar para uma vida de faquir.
Há diversos bons livros sobre finanças pessoais. O autor brasileiro Gustavo Cerbasi tem vários títulos publicados sobre o assunto e dá a recomendação de poupar em torno de 20% do rendimento. Cada autor coloca uma “fórmula” para fazer planejamento financeiro, mas coisa é certa: cada indivíduo é responsável pelo próprio futuro, e não planejar é deixar o futuro à deriva.
O primeiro passo para iniciar a boa gestão financeira é iniciar o controle de TODAS as receitas e despesas; o segundo passo é analisar os controles e iniciar possíveis ajustes. Para alcançar a independência e conforto financeiro, vêm o terceiro, mas não menos importante passo: investir sempre e corretamente. Buscar informações sobre rentabilidade, liquidez e riscos dos diversos investimentos disponíveis, e assim alocar os recursos de maneira consciente e segura.
sábado, 2 de julho de 2011
sábado, 18 de junho de 2011
VERDADES SOBRE A “DESINDUSTRIALIZAÇÃO” DO BRASIL
Muito se comenta sobre o processo de desindustrialização que o Brasil vem passando. Dados mostram que em 1980 o peso da indústria no PIB era de 33% e, atualmente, a participação minguou para aproximadamente 16% do PIB. Sobre esse assunto, muitas bobagens tem sido proferidas e soluções mirabolantes tem sido propostas.
Vamos retornar um pouco no tempo para relembrar a realidade do Brasil de décadas atrás. Nosso país tinha uma economia fechada, na qual as importações eram proibidas ou sofriam inúmeras restrições. Disso decorria um país pseudo-industrializado, pois havia industriais mas, em geral, obsoletas, com produtos caros e de baixa qualidade.
A abertura da economia iniciada em 1990 colocou nossas indústrias competindo com empresas de todo o planeta. Esse fato propiciou aos cidadãos brasileiros acesso a diversos bons produtos, com preços razoáveis e, geralmente, de qualidade superior. Essa mudança fez com que as indústrias fossem minguando a cada dia.
Desejar que o país tenha um parque industrial representativo por simples vontade política ou canetada presidencial é uma grande miopia. Algumas pessoas sugerem uma volta ao passado: fechar o mercado para importações e tentar esconder a falta de competitividade para baixo do tapete.
Mas como ter uma indústria competitiva num país no qual ainda se jogam urina, fezes e lixo nos rios? Como competir utilizando trabalhadores que saem analfabetos funcionais do ensino médio? Como disputar mercado produzindo num país com altos encargos empregatícios e diversas amarras nas relações trabalhistas? Como lidar com a burocracia excessiva e corrupção nas análises e aprovações de projetos? Como superar a complexidade tributária, alíquotas imorais, logística vergonhosa e preço de energia exorbitante? Como contratar profissionais qualificados se não há no país nenhuma instituição de ensino superior incluída entre as 200 melhores do mundo, além de haver leis que dificultam ou impedem a “importação” de profissionais qualificados. Será que é possível ser competitivo com todas essas desvantagens?
Nosso amado Brasil só não sofre um processo de “descomercialização” por impedimento geográfico, afinal não dá para um estabelecimento comercial situado no exterior vender seus produtos no território nacional, salvo poucas exceções.
O setor de agronegócio, mineradoras e demais produtoras de commodities também sofrem com as inúmeras desvantagens brasileiras, mas se destacam mundialmente por terem enormes vantagens geográficas (solo, clima, etc).
Soluções de controle de taxa de câmbio ou fomentar financiamentos via BNDES para solucionar a “desindustrialização” é querer desviar o foco do problema e não assumir a incompetência governamental. O chamado “Custo Brasil” mantido e cultivado por políticos e governantes é a real causa da crescente extinção das indústrias no país.
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