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quarta-feira, 15 de fevereiro de 2017

Crise: 5 ações para ficar de fora

Momentos adversos são inerentes à vida; seja problema de saúde, familiar, de relacionamento ou da atividade laboral.

Na economia, os momentos adversos são muito conhecidos como “crise”. Essa palavra costuma multiplicar absurdamente pelas mídias e por muitos que parecem só conseguir ver ruína e devastação. Na vida profissional não é somente crises econômicas as causadoras de turbulências. Há também aumento de concorrência, mudanças tecnológicas, mudança de perfil dos consumidores etc.

Diante do “indesejável”, basicamente há as seguintes alternativas:
  • Ficar choramingando (beneficiando os vendedores de lenços);
  • Reclamar e esperar o pior passar (quase nunca irá funcionar);
  • Trabalhar e estudar mais e melhor.

Atuo profissionalmente com finanças pessoais e investimentos, e mesmo acompanhando e sabendo de dados negativos da economia, a empresa que atuo está saindo ilesa do momento econômico adverso, ou melhor, a empresa tem crescido. Cidadãos que não costumavam se preocupar em planejar o orçamento familiar e em adquirir bons e adequados investimentos começaram a buscar informações e com isso, aumentou a demanda por bons serviços. Alguns poderão dizer que tivemos sorte ou que a crise nos beneficiou.

Posso até concordar parcialmente. Porém, seguem algumas ações que fizemos antes do momento adverso e que continuamos a fazer:

  1. Busca constante por qualificação (leitura, treinamentos e certificações);
  2. Foco nas necessidades dos clientes, isso permite fidelização e indicações;
  3. Estar alerta de novos produtos, fornecedores, parceiros, tendências e oportunidades;
  4. Busca por melhoria constante de processos;
  5. Trabalhar, trabalhar e trabalhar. Raramente o escritório fica vazio antes das 19h30 horas.

Será que teríamos crescimento na adversidade se não tivéssemos tratado as dicas “milagrosas” acima como regras diárias? Querer se mexer somente quando a situação está caótica mitiga as chances de superação de obstáculos.

Se ainda acredita em “sorte”, outro exemplo: dois de nossos clientes são empresários do ramo de software e soluções sistema de informações. Muitos desse setor reclamam da diminuição de clientes e demais dificuldades. A dupla de empresários optou por trabalhar muito e buscar clientes em qualquer região do país. Tiveram de sair da zona de conforto e “abriram” uma filial virtual pelos aeroportos do país. Onde houvesse clientes potenciais lá estavam eles tentando fechar negócio e mostrando seus serviços.

Não importa se você é empresário, profissional liberal, autônomo, funcionário público, estudante ou qualquer outra atividade. Saiba que momentos adversos sempre ocorreram e ocorrerão. Estar sempre preparado e focar em soluções e nas variáveis que dependem de nós é o que podemos fazer de melhor. Outra alternativa é se juntar aos que só conseguem choramingar e reclamar.

terça-feira, 25 de outubro de 2011

La Fontaine na economia

Em toda boa fábula há uma mensagem para refletir. Na clássica obra de Esopo, recontada por Jean de La Fontaine, a cigarra só queria saber de cantar, dançar e se divertir. Havia também a trabalhadora formiga que se esforçava para acumular alimentos visando possíveis dias mais difíceis. Para muitos, a moral dessa história é que o trabalho deve vir antes da diversão, ou que devemos nos preparar para momentos mais difíceis.

Na vida real não é rara a situação do indivíduo que vive com o orçamento no limite ou acima da capacidade financeira, tentando usufruir ao máximo do conforto e luxo que o dinheiro pode propiciar. Mediante qualquer pequeno imprevisto necessitam recorrer a parentes ou amigos para ajuda financeira. Sendo assim, para mim, a moral da fábula de La Fontaine é que as cigarras curtem a vida graças aos esforços e generosidade de algumas formigas, pois estas se sentem moralmente obrigadas a conceder ajuda.

O governo brasileiro já foi uma grande cigarra, que apresentava um orçamento mal feito e irresponsável, necessitando assim de empréstimos com altos juros para fechar as contas. O pior momento foi na gestão do então presidente José Sarney, que, para quitar os vencimentos mais próximos, obtinha novos e mais caros empréstimos. A situação ficou insustentável e houve decreto da moratória (interrupção de pagamentos). Nessa época não houve mais nenhum país-formiga com interesse em ajudar e socorrer o país-cigarra que parecia um saco sem fundo. Como resultado, o Brasil amargou por longo tempo uma economia estagnada e sem credibilidade.

Países com alto endividamento público são o foco da atual tensão econômica mundial. A Grécia encabeça a lista das cigarras, e na outra ponta a “formiga” Alemanha só está disposta a ajudar para evitar uma recessão mundial que afetaria outras cigarras e também vários formigueiros. Essa ajuda não é altruísta e só está saindo visando benefício próprio, mas com a imposição de ajustes impopulares e necessários por parte das cigarras solicitantes.

Voltando à moral da história: enquanto houver formigas interessadas em prestar socorro, haverão diversas cigarras preocupadas somente em curtir e esbanjar. Quanto a mim, prefiro continuar com atitudes "formiguistas", bem como votando e apoiando políticos formigas.