Fui uma das várias pessoas que assinaram a petição para a criação do Partido Novo, ainda em 2013. Com o passar do tempo, conforme a legenda crescia, ela começou a incomodar as demais siglas políticas. Tanto a pseudo-direita quanto os partidos de esquerda começaram a bradar que “o Novo já nasceu velho”. Uma baita frase de efeito, mas sem fundamento algum.
Qual outro partido político não utilizava dinheiro público (seja do Fundo Eleitoral ou do Fundo Partidário)? Qual partido fazia sabatinas e exigia um processo de seleção rigoroso para os pré-candidatos? Qual sigla exigia que os eleitos economizassem nas verbas de gabinete, e que seus assessores comprovassem conhecimento técnico aprovado pelo partido? Qual agremiação tinha regras claras que, em caso de desvio de conduta, resultavam em sanções rigorosas (o que inclusive levou à desfiliação de um dos seus principais fundadores)? Qual entidade política impedia coligações fisiológicas apenas para aumentar as chances de eleição? Qual partido proibia a reeleição perpétua em cargos legislativos?
Tudo isso era realmente novo, ético e decente. Dizer que o Novo nasceu velho é uma grande bobagem. Recordo-me de um dos mantras da sigla: fazer o que é ético e correto, sem atalhos, independentemente de ser mais difícil ou demorado. E assim o partido seguiu, crescendo de forma orgânica. Naturalmente, ao longo do caminho, houve discordâncias, debates internos e algumas expulsões.
Mas agora chego ao motivo que me fez dedicar tempo para escrever este texto: na minha opinião, recentemente o partido tem falhado e, de fato, está envelhecendo.
Vamos aos fatos. O Novo flexibilizou a regra sobre o uso de dinheiro público. Também começou a aceitar a filiação de mandatários eleitos por outras legendas. No entanto, o motivo principal do meu desabafo é que grandes expoentes do partido simplesmente ignoraram a candidatura ao cargo mais importante da nação. Foi decepcionante ver políticos filiados apoiando abertamente a candidatura da legenda de um ex-presidente. Para piorar, esse candidato não possui um passado íntegro e ilibado que justifique aplausos.
Não sei o que se passa nos bastidores. Se houver algo obscuro, deve vir à tona. Os filiados e os cidadãos merecem a verdade total da sigla que prometeu nunca pegar atalhos. Se alguns integrantes se sentem mais confortáveis alinhados ao partido de um ex-detento mensaleiro, deveriam ter a hombridade de pedir desfiliação. O Novo não pode se tornar apenas um sonho de uma noite de verão.