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terça-feira, 2 de maio de 2017

Dois vilões que prejudicam seu orçamento

Ao pensarmos na prática do planejamento financeiro, percebemos que ainda são poucos os que o fazem. Devido a isso, é comum endividamento descontrolado e o sentimento de que “o salário não dá”, “não sei para onde foi o dinheiro” ou “ganha pouco”.


Existem dois grandes vilões para o seu bolso. Eles têm o cuidado de serem invisíveis, imperceptíveis e lentos em sua atuação. São eles os pequenos gastos diários desnecessários e a compra de bens que carregam passivos.


Os pequenos gastos diários desnecessários são aqueles que você acredita não haver problema, por terem baixo valor. Seja um lanche na padaria próxima da empresa, chopinho nos finais de tarde, café no meio da tarde, etc. Esse vilão tem impacto maior principalmente em faixas de rendas menores.


Exemplo: Fazer um lanche rápido na parte da manhã e outro à tarde custará em torno de 20 reais numa lanchonete. Se você substituir essa prática por comprar no supermercado algo semelhante, o gasto diário será próximo de 10 reais por dia. Somando 24 dias úteis, será onerado no orçamento mensal 240 reais para fazer o lanche “fora”. Esse maior gasto ocorrerá de maneira sorrateira e imperceptível. Para quem possui uma renda maior, esse valor não terá grande impacto no orçamento, mas imagine um casal que não tenha uma renda alta: serão 480 reais mensais de gastos que poderiam estar sendo destinados para uma reserva financeira ou qualquer outra prioridade.


Bens que necessitarão de gastos regulares adicionais são chamados bens que carregam passivo. Também há forte impacto no orçamento, pois normalmente só é calculado o valor do bem, esquecendo dos gastos futuros. Por exemplo, casa de veraneio, lancha e veículos. Em relação aos veículos, na maioria das cidades brasileiras o transporte coletivo é sofrível, então é compreensível o desejo da maioria pelo transporte individual (carro/moto). Porém, antes de efetuar uma compra, será que o veículo desejado caberá no orçamento? Será que um veículo de menor valor não seria mais compatível com sua renda?


Custo de se manter um veículo de 50 mil reais:
Depreciação (aproximadamente 10% ao ano)
R$ 5.000,00
IPVA(3%)/Licenciamento
R$ 1.715,00
Seguro (varia de acordo com perfil e veículo)
R$ 1.810,00
Custo de oportunidade (5% ao ano). Dinheiro poderia estar rendendo
R$ 2.500,00
Revisão (anual ou normalmente de 10 em 10 mil km)
R$ 375,00
TOTAL (custo fixo)
R$ 11.400,00


Serão 950 reais por mês (custo fixo) para manter um veículo de 50 mil reais. Isso sem mencionar se o veículo for financiado, pois nesse caso haverá o custo dos juros. Esse cálculo é somente para manter o veículo parado, pois se decidir rodar haverão gastos com combustível, estacionamento, pneus etc. Para quem necessita do veículo com pouca frequência, vale a pena analisar se não seria mais vantajoso optar por utilizar táxi ou aplicativos de transporte.

Será que esses vilões estão atrapalhando sua vida financeira? Será que não existem outros vilões imperceptíveis? Uma excelente ferramenta que poderá te proteger são os aplicativos para controle de gastos (controle financeiro). Além de te auxiliar em estabelecer/priorizar objetivos, ajudam em também alcançar uma vida financeira mais tranquila.

quarta-feira, 6 de julho de 2016

Quer programar o futuro de seu filho?

No Brasil vivemos algumas situações particulares: mesmo passados mais de 20 anos do período de altíssima inflação, ainda colhemos resultados adversos. O maior deles é de ver que muitos que vivenciaram aquele período têm dificuldades de controlar o orçamento e fazer planejamento de longo prazo. Lamentavelmente, as boas práticas não foram repassadas para gerações seguintes.

Outra característica muito comum a nós, brasileiros, é não comentar o valor da própria renda. Normalmente não ficamos confortáveis de informar valor salarial para amigos, colegas e familiares. Então, os filhos não costumam ter muita noção do valor do dinheiro e de suas possibilidades de gastos.

As crianças e adolescentes precisam entender como são gerados os recursos financeiros da família e que estes são finitos. Precisam entender, também, que cada escolha de gastos significa ter que abdicar de outros. Exemplo: Se a família optar por jantar fora 2 ou 3 vezes por semana, poderá faltar dinheiro para viajar no final do ano. Administrar orçamentos é elencar prioridades, fazer escolhas e planejar o futuro.

MESADA é uma maneira de replicar desde cedo os conceitos das finanças pessoais. É uma ótima fase crianças e adolescentes aprenderem com os próprios erros ao optar por escolhas erradas. É uma fase boa, também, para começarem a entender que para comprar coisas caras será necessário poupar alguns meses para conseguir esses objetivos.

Algumas dicas:
-Estabelecer um valor de mesada razoável, e que esteja dentro do orçamento da família;
-O ideal é iniciar, lá pelos 8 anos de idade, pagando semanalmente, pois nessa fase há maior dificuldade de compreensão e de pensar no longo prazo. Posteriormente pode-se passar para quinzena e dos 11 a 12 anos já dá para fazer pagamentos mensais;
-Deixar claro quais os gastos que deverão ser pagos pela mesada (sorvete, cinema, lanche na escola, etc). Quanto mais nova a criança, menos itens devem ser incluídos na mesada. Com adolescente com 15 ou 16 anos já se pode incluir na mesada gastos com roupas, celulares e alguns outros itens;
-Seguir a risca o que foi combinado. Se a criança decidiu gastar tudo no primeiro dia, não ceder às possíveis solicitações e choramingos. Orientar os tios e avós sobre isso para evitar empréstimos ou doações que burlem o intuito educativo;
-Escolhas erradas farão parte do aprendizado. Respeite as escolhas feitas, pois as prioridades de uma criança são bem diferentes de jovens e adultos;
-Oriente também sobre poupar para poder comprar coisas mais caras e também sobre investimentos. Ensine que dinheiro poupado poderá render juros das aplicações financeiras;
-A mesada não deve ser instrumento de troca pelas obrigações das crianças, como tirar boas notas na escola ou arrumar o quarto e brinquedos;
-Lembre-se, além da mesada, a educação pelo exemplo também é de suma importância. Deixar a criança/adolescente participar de conversas sobre finanças é instrutivo, pois mostrará a importância de planejar e fazer escolhas;
-O assunto não deve ser tratado como algo chato, e sim como algo benéfico e importante para atingir objetivos financeiros e metas de vida, de maneira mais fácil.

Quanto mais cedo a criança e o adolescente aprenderem a gerenciar o próprio dinheiro, maior será a possibilidade de se tornarem adultos que façam com que o resultado do suor do seu trabalho seja bem utilizado e multiplicado.