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quinta-feira, 16 de março de 2017

FGTS: O que fazer?

Recentemente, iniciou a liberação das contas FGTS inativas de antes de 2016. O cronograma para saques é pela data de nascimento do trabalhador. A primeira retirada acontecerá em março para os aniversariantes de janeiro e fevereiro. Daí em diante, seguirá o cronograma.


Diversas reportagens e comentários sobre o que fazer com o montante têm sido publicados. Antes de passar mais uma recomendação, é primordial que o trabalhador saiba mais sobre o Fundo Garantidor por Tempo de Serviço. Essa poupança obrigatória foi criada em 1966 para dar um amparo financeiro ao trabalhador que for demitido sem justa causa. O montante é para ser utilizado como reserva em caso demissão (ou em algumas outras situações também previstas).


Me dá calafrios quando ouço pessoas empregadas que irão utilizar o montante para quitar dívidas. Sim, a recomendação é essa mesmo. Porém, se não houver mudança na maneira de gerir o próprio orçamento, haverá enorme possibilidade desse trabalhador voltar à situação de endividamento futuro. Se não mudar a mentalidade em relação ao próprio rendimento, chegará na fase da aposentadoria sem patrimônio algum. Daí estará fadado a passar a “melhor idade” sobrevivendo e sempre esperando por ajudas financeiras “inesperadas”.


Outra situação que me dá arrepios é o trabalhador que não possui reservas de emergência e que irá utilizar o montante oriundo do suor do trabalha para gastos por vezes desnecessários. Lembre-se da função do “G” do FGTS (Garantia). Lembre-se também de que imprevistos futuros podem acontecer e uma reserva financeira será muito bem vinda.


Sei que alguns já desistiram de ler e outros devem estar com o pensamento: poupar para quê? Afinal, o bom é consumir! Daí sou obrigado a concordar imensamente. Porém, o dinheiro poupado serve justamente para isso: para consumir. Seja para utilizar em alguma emergência, investir em estudo, lazer ou ainda em produtos supérfluos. Mas ao postergar o consumo, haverá a força do juros dos investimentos. Por isso, no futuro poderá gastar mais (quanto mais tempo, maior a força dos juros no crescimento do dinheiro) e ainda estará mais amparado numa possível adversidade.


Infelizmente os brasileiros não têm o bom hábito de planejar, fazer orçamentos, elencar prioridades e pensar no longo prazo (desculpem a generalização). O resultado é o sentimento de que os esforços laborais não são válidos ou que ganha-se pouco (que por vezes até é verdadeiro). As consequências vão desde um padrão de gastos inferiores ao salário (juros pagos no crédito), endividamento descontrolado ou então aposentadoria prejudicada.


Agora sim, aos que leram até aqui… seguem minhas já óbvias recomendações para o FGTS:


-Quem está endividado: Utilize todo o montante para quitar suas dívidas. Caso sobre, faça reserva para possíveis emergências. Daí releia com muita atenção o terceiro parágrafo quantas vezes forem necessárias;
-Quem não tem dívidas porém não tem reserva financeira: Utilize para fazer uma boa aplicação financeira. Conheça os benefícios e tranquilidade que bons investimentos propiciam;
-Quem já possui reserva financeira: Parabéns você faz parte de uma minoria, porém aproveite para se aprofundar em investimentos e também planejamento. Analise seus objetivos e também sobre reserva para complemento da aposentadoria;

-Quem possui reserva financeira e já tem tudo planejado: Parabéns, você é a exceção das exceções. Nessa situação, o trabalhador saberá exatamente o que deve fazer com esse montante, e só lamento pelo tempo dispendido em ler mais uma recomendação.

Artigo publicado:
-Diário de Cuiabá de 17/03/2017 - http://www.diariodecuiaba.com.br/detalhe.php?cod=501623 -A Gazeta de 19/03/2017 - http://m.gazetadigital.com.br/conteudo/show/secao/60/og/1/materia/505299/t/fgts-o-que-fazer-r

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2016

Enganação do benefício FGTS

“O Fundo de Garantia do Tempo de Serviço - FGTS foi criado em 1967 pelo Governo Federal para proteger o trabalhador demitido sem justa causa.” Essa é a informação que consta no site oficial do governo. A página eletrônica também informa: “Com o FGTS, o trabalhador tem a oportunidade de formar um patrimônio, que pode ser sacado em momentos especiais...”. Que maravilha! O conceito realmente é lindo, mas vamos destrinchar sobre esse suposto benefício.


Antes de comentar sobre o FGTS é interessante relembrar que no Brasil o nível salarial da maioria é baixo, portanto cenário desfavorável para se conseguir montar uma reserva financeira (poupança). Outra característica brasilis é o alto custo e complexidade da legislação trabalhista. Os altos encargos e excesso de burocracia que prejudica o empregado e empregador, e desestimula criação de vagas.


Daí em 1967 algum governante deve a “brilhante” ideia de se criar um fundo obrigatório, custeado pelo já mirrado salário do trabalhador. Alguém pode refutar e dizer que esse montante é proveniente do empregador. Ledo engano, pois o erário é oriundo de parte da produção do empregado. O capitalista somente retira da parte que seria destinado ao empregado (salário) e efetua o recolhimento.


Então o “benefício” do FGTS é obrigar o trabalhador a poupar, mesmo que o salário seja baixo e que ele tenha que recorrer à empréstimos com taxas absurdas para adquirir bens duráveis. Se ainda não fui convincente deste “desbenefício”: em 2015 a inflação foi de 10,67%, já o FGTS rendeu míseros 4,79%. Então o nobre trabalhador foi obrigado a fazer uma poupança forçada e em troca recebeu um rendimento ridículo, abaixo da inflação. Em outras palavras, a poupança forçada teve grande perda do poder de compra no decorrer do tempo. Traduzindo ainda mais: o governo obrigou o trabalhador a rasgar dinheiro.


Alguns defensores poderão arguir dizendo que com o saldo do FGTS o governo pode propiciar financiamento imobiliário com taxas subsidiadas. Mas que bela vantagem!!! Lascar o trabalhador para depois oferecer uma pseudo benesse e ainda sair como benfeitor. Esse tipo de atitude é típica de governos populistas: camuflam a arrecadação dizendo ser benefício e posteriormente distribuem migalhas do que foi recolhido, fazendo isso com grande apelo social.


Há duas saídas justas para esse imposto disfarçado: que o saldo do FGTS seja aplicado em títulos públicos federais, pois daí pelo menos haveria ganho real em rentabilidade (acima da inflação). Outra possibilidade ainda mais razoável e menos provável de ocorrer seria permitir que o trabalhador decidisse se quer ou não esse suposto benefício, e que também pudesse decidir onde aplicar o montante.

Infelizmente qualquer possibilidade de propiciar um real benefício ao trabalhador, não será nem mesmo cogitado por governantes populistas, cuja real competência é apenas tergiversações e muito marketing enganoso. Enquanto isso, o FGTS continuará sendo idolatrado por muitos e prejudicial para os cidadãos.