terça-feira, 26 de maio de 2009

Somos culpados?

Artigo escrito em maio/2009. Publicado em 01/07/09 no jornal Folha do Estado.
"Sou obrigado a reconhecer que, com toda a corrupção que teve de um tempo para cá, o que encontramos no governo Collor deveríamos ter enviado para o juizado de pequenas causas". Senador Pedro Simon

A cada dia um novo e mais estapafúrdio escândalo é descoberto no Congresso Nacional. Sonegação fiscal, utilização imoral e ilegal de dinheiro público, corrupção, nepotismo, corporativismo, licitação fraudulenta etc. A lista é vasta e aparentemente interminável.

Representantes eleitos para elaborar leis, fiscalizar o executivo, moralizar o país e promover o desenvolvimento e a igualdade de oportunidades, parecem ter o propósito de realizar ações opostas àquelas para as quais foram eleitos.

Muito embora não se queira partir para a generalização, está difícil achar uma exceção. Parece que nenhum congressista está isento de culpa pela prática de algum tipo de imoralidade, se é que se pode falar em imoralidades e ações antiéticas maiores e menores. Até personalidades que primavam por uma conduta considerada irrepreensível mostram seu lado obscuro na realização de atos que qualquer cidadão consideraria reprovável.

Fico imaginando a conversa entre nossos “nobres” representantes. Será que nas rodas de Brasília eles discutem sobre o desenvolvimento da nação? Sobre o baixo nível educacional da população? Sobre a fiscalização do executivo? Sobre as leis que deveriam elaborar? Seriam esses os assuntos em pauta?

No episódio do uso das cotas de passagens aéreas, aqueles que mandaram filhos, namoradas e noras para o exterior são mais éticos do que aqueles que, além de todos os parentes, propiciaram felizes viagens a amigos, vizinhos, subalternos apadrinhados etc. Quem se utilizou de 6 passagens é um político mais confiável do que aquele que distribuiu (ou negociou) 40 bilhetes aéreos? Seria necessário criar uma escala para medir irregularidades ou imoralidades?

Para jogar uma pá de cal na moralidade almejada por todos que elegem seus representantes nas nobres casas legislativas, o Sr. Luiz Ignácio Lula da Silva afirmou não achar nada de errado com a farra das passagens dos congressistas. Só gostaria de lembrar que a verba do Congresso é dinheiro do cidadão para utilização exclusiva nas funções parlamentares. Não creio que exista algum contribuinte que concorde com a distribuição a esmo de bilhetes aéreos.

Nós, cidadãos, olhando atônitos para o descalabro dos políticos, ficamos tais quais aqueles pais que consideram haver propiciado boas oportunidades ao seu filho e, ao verem que ele enveredou pelo mau caminho, se perguntam: Onde foi que nós erramos? Enfim, qual é a nossa culpa?

quinta-feira, 23 de abril de 2009

Benefício da Crise Econômica para o Brasil

Artigo publicado em 08/05/09 no Diário de Cuiabá
De uma marolinha distante, segundo o presidente Lula, a crise do mercado imobiliário estadunidense tomou força e está afetando negativamente a economia global e, por conseguinte, a economia de nosso país. A cada dia que passa, há divulgação de dados negativos que demonstram que a crise é real, e que o sonho do governo petista de passar incólume não passou de um reles devaneio ingênuo.

Desde que o capitalismo foi assimilado pela maioria dos países, os ciclos de expansão e recessão estão presentes e são, até certo ponto, previsíveis. Essa é uma característica não muito bem quista do capitalismo. Economistas desenvolveram e ainda tentam desenvolver ferramentas que permitam aniquilar ou mesmo atenuar os períodos negativos. Mas os ciclos perduram, e é assim não só na economia. Na natureza há o dia e a noite, o verão e o inverno, os períodos de seca e de chuvas.

Das “crises” que presenciei, sempre me espantaram as notícias aterrorizadoras, algumas vezes a sensação de horror até fazia parte do meu dia-a-dia. Crise após crise, concluí que nada de terrível ocorreu como conseqüência de sua maior ou menor permanência, apenas um enxugamento daqui, outro dali, um pouco mais de dificuldades, mas a vida sempre continuou. A vida continua mesmo sob o bombardeio de notícias ruins.

Após longo período de expansão mundial, o governo petista está experimentando sua primeira grande dificuldade. Desde a primeira gestão de Lula, a economia mundial vinha pujante, até o capitalismo mostrar a sua característica negativa.

Mesmo com as dificuldades e intempéries trazidas pela crise, os cidadãos brasileiros podem vislumbrar um lado positivo. Devido à escassez do crédito, o governo tem sido obrigado a baixar as alíquotas de impostos de produtos e serviços, bem como a criar novas faixas de Imposto de Renda, tudo isso para estimular a população a continuar consumindo. É sabido que o Brasil é um dos campeões na quantidade de imposto e na prática de altas alíquotas. O Leão está sendo amansado pela crise, mas ainda não podemos comemorar, os governos continuam com alíquotas imorais e uma contrapartida pífia.

Decorrente da menor pressão inflacionária, a tão falada taxa SELIC deixou de subir e desce a ladeira.

Outro benefício trazido pela crise é o aprendizado que alguns estão sendo obrigados a assimilar no quesito do controle financeiro pessoal como, por exemplo, a lição de não se endividar excessivamente e analisar bem as taxas de juros, além, é claro, de avaliar se a aquisição de um produto cabe no orçamento. Quem tem poupança, pode ir às compras e encontrar ótimas pechinchas nos períodos nebulosos.

A regra para o Brasil dar um salto e pular essa crise é conhecida por muitos: redução gradual de impostos, aliada à redução da máquina estatal. Lula e sua equipe parecem ainda não ter calculado que a diminuição de receitas e aumento dos gastos é uma conta que não fechará. O governo federal precisa de uma chacoalhada. A redução de impostos e do aparato estatal possibilitará o crescimento da economia com a manutenção de investimentos, principalmente, em educação, saúde e saneamento.

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2009

Pérola no concurso do Ibama

A pérola literária que segue abaixo foi uma redação para um concurso do IBAMA. A autora é a minha irmã, que solicitou anonimato. Ela não fazia idéia do que o tema se tratava.

Até que nas demais provas, teve boas notas. O resultado final vai depender da sensibilidade humorística e compreensão literária do corretor.



A ALOCAÇÃO NEGOCIADA DA ÁGUA NO CONTEXTO DA POLÍTICA NACIONAL DE RECURSOS HÍDRICOS

Em seu texto, aborde: conceito e objetivos, relação com a política nacional de recursos hídricos, forma de execução (etapas) e participação do poder público na alocação pactuada.

É praticamente impossível escrever sobre um assunto teórico do qual não se tem segurança, principalmente tratando-se de tão relevante tema quanto a Política Nacional de Recursos Hídricos.

Entretanto, cumprindo meu papel de candidata, e como boa brasileira que nunca desiste, atrevo-me a escrever meras elucubrações mentais apenas para não deixar em branco estas linhas, e para que os ilustres avaliadores tenham alguma distração, talvez até diversão, no cumprimento de sua tarefa.

No exercício supremo de minha criatividade, presumo humildemente que “alocação negociada da água” deva ser alguma forma de uso compartilhado da água que traga vantagens às partes envolvidas, sem qualquer prejuízo ao meio ambiente.

Deduzo então que deve ter o objetivo de otimizar o uso racional da água e assegurar qualidade e quantidade.

Esta modalidade de procedimento deve estar inserida, creio eu, na Política Nacional de Recursos Hídricos na forma de Resolução, Capítulo, ou algo equivalente.

Quanto à forma de execução e suas etapas, por serem muito complexas e minuciosas, excedem a minha capacidade de imaginação. Mas posso inferir que devem ser coerentes e bem organizadas em uma seqüência e lógica que culmine com um resultado satisfatório aos fins à que se propõe.

Finalmente, não querendo abusar da boa vontade e tempo dos nobres avaliadores, não farei qualquer menção à participação do poder público na alocação pactuada, tendo em vista o adiantado tempo de prova e o fim destas torturantes linhas.

Espero merecer alguma consideração de vossa parte, ao menos pelo uso da ortografia e gramática, quiçá pelo supremo esforço mental por mim realizado.

Encerro então estas linhas desculpando-me por qualquer inconveniente que por ventura possa ter-vos causado.

quinta-feira, 29 de janeiro de 2009

Licença para matar, por Pedro Lima

Quando o presidente Lula se esquece que é do PT, consegue governar bem como no caso da economia. Cercando-se de gente competente fez tudo ao contrário do que o seu partido propunha. Isto porque o pessoal do PT, bem como de todos os partidos de esquerda, tem uma visão caolha ao enxergar os fatos. Não possui equilíbrio, e é despreparado para o poder.

Trata-se de gente fanatizada, que usa dois pesos e duas medidas. Tenho observado ao longo do tempo a forma com que esse pessoal da esquerda enxerga as coisas. Tudo que Fidel Castro faz eles acham que está certo. Fidel fuzila, acham que é normal. Fidel prende jornalistas por crime de opinião e os próprios jornalistas brasileiros de esquerda aplaudem, não movem uma palha para defender seus colegas cubanos...

Artigo publicado no Diário de Cuiabá. Para ler na integra, clicar no link abaixo:

http://www.diariodecuiaba.com.br/detalhe.php?cod=337677&edicao=12325&anterior=1

PEDRO LIMA é analista político e advogado

quarta-feira, 7 de janeiro de 2009

Significado da Corrida de Reis (para mim)

Há coisas simples que trazem enorme prazer pessoal. É difícil transcrever em palavras o que a Corrida de Reis significa para mim. O primeiro contato foi através da propaganda das primeiras edições, parecia algo distante e impossível, desde então apenas sonhava em “um dia” participar.

Esta foi a minha décima participação e em todas as edições que corri, tenho a mesma sensação de vitória, superação de metas e desafio vencido (mesmo chegando bem depois do pelotão de elite). Não há palavras para expressar o que para muitos não passa de “uma corrida”.

Meu maior prêmio é ter uma vida saudável e me manter em forma o ano todo. Espero ter força de vontade para comemorar correndo a 50º edição desse maravilhoso evento.
OBS: Concluí a XXV Edição em 58min44, fiquei em 157º na minha categoria e 1414º na classificação geral.

sábado, 3 de janeiro de 2009

Ano Novo, Velhas Práticas

Artigo publicado no jornal Folha do Estado em 06/01/09 e nos sites http://www.prosaepolitica.com.br/ www.24horasnews.com.br/evc/index.php?mat=2236 www.olhardireto.com.br/artigoseopinioes/artigo.asp?cod=2676

Já está virando tradição de final de ano, o legislativo aprovar leis que vão contra os interesses do país e dos cidadãos. Temos “bons” exemplos nas suas três esferas de atuação.

O congresso nacional (em letra minúscula) votou a favor de uma emenda a Constituição que aumenta o número de vereadores. Numa artimanha meio camuflada foi votada essa lei, contrária às necessidades do país e vontade dos cidadãos, a quem os congressistas deveriam representar. Desafio os “nobres” congressistas que votaram a favor de tal aberração a me convencer dos benefícios que essa medida trará para a nação.

A assembléia legislativa (em minúsculo também) de Mato Grosso se beneficiou com a aprovação da aposentadoria vitalícia. Enquanto isso, no mundo real, o país sofre para tentar não ampliar o enorme déficit previdenciário. Esse projeto é tão contra os interesses que nem o autor teve a hombridade de assumir a autoria.

Para não ficar atrás, no penúltimo dia de 2008, fechando o ano com “chave de ouro”, nossos vereadores aprovaram aumento de mais de 23% nos próprios vencimentos. Enquanto se noticia a dificuldade de o Poder Executivo se ajustar e se adequar às novas realidades econômicas, nosso legislativo simplesmente ignora qualquer dificuldade ou mesmo a vontade dos cidadãos e acaba por legislar em causa própria. Rendimentos mais polpudos, aliados ao aumento do número de vereadores, trarão dificuldades para o executivo. E o legislativo, o que tem a ver com isso?!?!?

Quem conhece um pouco de economia sabe que nosso país tem uma pesada e onerosa máquina administrativa. Há enormes gastos correntes (manutenção da máquina pública), sobrando poucos recursos para investimentos em educação, saúde, habitação, etc.

Essas medidas fazem o ano novo começar com as mesmas velhas práticas políticas. O peso do inchaço será pago com a perpetuação de altos impostos e serviços públicos ineficientes. Nós precisamos de muitas realizações, em praticamente todas as áreas sociais, mas do que menos precisamos é de um maior número de vereadores e de tantas manobras escusas, nutrida pelos que elegemos para atuar pelo bem da coletividade.

Mesmo me considerando um otimista, diante desse tipo de notícia fica difícil vislumbrar um futuro próspero para o país. Resta apenas a esperança de que os eleitores fiquem mais atentos à ação dos políticos e de que as entidades representativas da sociedade utilizem os meios disponíveis para coibir tanto descalabro e desrespeito pelo cidadão.

sexta-feira, 19 de dezembro de 2008

Quando a união faz a força

Artigo publicado no jornal Folha do Estado em 24/12/2008

É impressionante o que seres humanos juntos são capazes de fazer quando surge algum objetivo comum. Isso é mais perceptível e ocorre com mais intensidade quando há alguma tragédia envolvida.

Terremotos, enchentes, acidentes ferroviários, erupções vulcânicas, avalanches e outras catástrofes são acontecimentos que mobilizam a população em busca de ações que visem a atenuar o prejuízo, a destruição e o sofrimento dos que foram atingidos pela tragédia. A trágica enchente que ocorreu em regiões de Santa Catarina mostra o poder de força e mobilização da sociedade na tentativa de auxiliar aqueles que se viram, repentinamente, sem suas casas, perdidas total ou parcialmente, e, muitas vezes, sem seus familiares, mortos no terrível acontecimento. Em todo o país estão ocorrendo diversas ações para auxiliar os vários desabrigados.

Dias atrás estava refletindo sobre o motivo de o ser humano, em sua grande maioria, só se mobilizar quando acontece alguma catástrofe. Não que essa solidariedade seja negativa. Ela é fundamental diante de um fato inesperado e de grandes proporções, em que a ajuda é de suma importância para salvar vidas. Mas, refletindo melhor, pensei na possibilidade de haver mais solidariedade sem que haja necessidade de algum acontecimento terrível desencadear tal sentimento.

Algumas pessoas participam rotineiramente de campanhas, mutirões e ações que buscam minorar as dificuldades e sofrimentos humanos, mas, de um modo geral, não têm a mesma dimensão nem o mesmo poder de mobilização daquelas ações que ganham o noticiário nacional diante da magnitude de alguma tragédia.

Aproveito a ocasião para parabenizar os que já participaram ou participam de alguma atividade voluntária que traga benefícios para o próximo. Poderia citar muitos exemplos, tais como doação de sangue, auxílio a creches, doentes, necessitados e outras tantas ações cujo engajamento auxiliaria muitas entidades que sobrevivem, ainda que com dificuldade, graças à predisposição de pessoas abnegadas que nelas atuam e de pessoas que contribuem para a sua manutenção.

Os desastres de grande magnitude acontecem e se vão, mas aquelas tragédias cotidianas, da miséria, da fome, da privação, da infância desamparada, da doença, com as quais nos acostumamos, estão aí sob nossos olhos a desafiar a nossa capacidade de participar e colaborar de forma mais efetiva do conjunto de ações solidárias.